Analisar a eleição para vereador em São Paulo é como montar um quebra-cabeça gigante: uma tarefa complexa, mas muito divertida. Para entender as peças desse jogo, fomos direto à fonte: os dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O desafio? O TSE te entrega uma montanha de planilhas, não um mapa do tesouro. As zonas eleitorais, por exemplo, não vêm com um desenho pronto para visualizarmos onde os votos aconteceram.
Foi aí que um pouco de programação entrou em campo. Com a ajuda da biblioteca Geopandas em Python e uma técnica bem legal chamada polígonos de Voronoi, desenhamos os mapas para enxergar a geografia do voto na cidade.
Pausa para o Momento Nerd: O que diabos são Polígonos de Voronoi?
“Ok, mas o que são esses tais polígonos e por que usá-los?”, você pode perguntar. A lógica é mais simples do que o nome sugere.
Imagine que você tem dois pontos em um papel. Como dividir o papel em duas regiões, mostrando qual área está mais perto do ponto A e qual está mais perto do ponto B? Simples: você traça uma reta exatamente no meio do caminho entre eles.
Agora, imagine que você joga dezenas de pontos nesse papel. O resultado será um lindo mosaico, onde cada “azulejo” (o polígono) define a área de influência de cada ponto. Isso é um diagrama de Voronoi.

Certo, e o que isso tem a ver com a eleição?
Tudo! Por padrão, o TSE registra você para votar no local de votação mais próximo da sua casa. Isso significa que cada escola ou ponto de votação atrai, naturalmente, os eleitores que moram ao seu redor.
Portanto, o “território de influência” de um local de votação se parece muito com um polígono de Voronoi! É a forma matemática de desenhar as “vizinhanças” de cada seção eleitoral.
Essa mesma lógica, aliás, serve para muito mais: desde modelar o crescimento de cristais até definir as zonas de influência de franquias, supermercados, postos de saúde e bases da polícia ou dos bombeiros.
(Dica de ouro para quem curte o assunto: a professora Vanessa Bastos tem vídeos e aulas incríveis sobre isso no YouTube. Vale muito a pena conferir!)
Finalmente unimos todos os locais da mesma zona e ficamos com o seguinte mapa:
Divisões das Zonas do mapa de SP.

O Mapa do Tesouro: Onde Moram os Votos de Cada Vereador?
Chegou a hora de colocar uma lupa sobre cada vereador eleito. Os mapas a seguir são como um raio-X do voto: eles mostram exatamente de quais bairros vieram os votos que elegeram cada político. A cor mais forte no mapa indica a “fortaleza” de cada um — a região onde ele reina com mais popularidade.
Ao navegar pelos mapas, você notará dois tipos de estratégias bem diferentes:
- Os “Reis do Castelo” A grande maioria joga um jogo hiperlocal. São políticos com bases eleitorais muito bem definidas, concentrando quase todo o seu poder em poucos bairros. Eles são a força dominante de uma comunidade específica, os verdadeiros “reis” de seus castelos.
- Os “Pop Stars” do Voto Em contraste, uma pequena minoria joga um jogo diferente. São vereadores que conseguem espalhar sua influência por toda a cidade. A popularidade deles não respeita as fronteiras dos bairros, indicando que suas pautas e seu apelo conversam com uma São Paulo mais ampla e diversa.
Esses mapas, no fim, revelam as diferentes dinâmicas de poder na cidade: a força do bairro contra o apelo da metrópole. Mergulhe nos dados e descubra de onde, afinal, vem o poder de cada vereador de São Paulo.
Para ver todos os mapas de uma vez clique aqui.
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Votos de partido
Os "Pop Stars": Quem Conquista a Cidade Inteira?
E quem são os "pop stars" do voto em São Paulo? O caso mais claro é o de Lucas Pavanatto, o campeão de votos da capital. Seu mapa de votação se espalha pela cidade, mostrando que seu apelo não tem um CEP fixo. Esse perfil mais "generalista" também aparece em nomes como Sargento Nantes, Rubinho Nunes e Simone Ganem, que conseguiram votos em geografias bem diversas.
Os "Reis do Castelo": Quem Manda no Bairro?
Do outro lado do tabuleiro, temos os "reis do castelo", políticos cuja força vem de um profundo enraizamento local. Danilo do Posto de Saúde é o exemplo perfeito: é quase impossível falar dele sem pensar na Zona Norte, especialmente na Vila Maria, onde seus votos se concentram de forma impressionante.
Esse padrão se repete por toda a cidade, com cada "rei" ou "rainha" dominando seu território. O mapa não mente:
- Edir Sales: Vila Prudente e Sapopemba.
- Eliseu Gabriel: Pirituba.
- Fábio Riva: Perus.
- Senival Moura: Guaianases.
- Sydney Cruz: Pedreira.
- Silvão Leite: Parelheiros.
- Silvinho: Piraporinha.
- Thammy Miranda: Rio Pequeno.
- George Hatto: Vila Mariana.
Essa segmentação geográfica prova que existem, no fundo, duas receitas para o sucesso na política paulistana: ou você se torna uma voz para a cidade inteira, ou se torna o porta-voz indispensável do seu bairro.
A Geografia dos Partidos: A Tensão entre o Rei e o Estrategista
Agora, vamos trocar o telescópio pela lupa para olhar o mapa do voto por partidos. Qual é a estratégia de cada legenda na cidade?
Quando olhamos para os partidos, a lógica do jogo muda. Se o vereador é um "rei" que precisa defender seu "castelo", o partido é o estrategista que quer espalhar peças por todo o tabuleiro proporcionais a sua população.
A meta de um partido grande é ser generalista. Com um fundo de campanha limitado, a estratégia é otimizar a distribuição de seus candidatos e verbas, espalhando-os por muitas áreas para somar votos em toda a cidade — mesmo que não vença em todos os lugares. É um cálculo frio para maximizar os pontos para o quociente eleitoral.
Aqui nasce uma tensão divertida: enquanto muitos candidato concentram todo o esforço para ser o "rei" do seu bairro, o partido precisa se desdobrar para fazer cada real da campanha render votos nos mais variados territórios.
No entanto, alguns partidos se destacam pela alta concentração de votos em áreas específicas, indicando que seus candidatos so conseguiram se destacar em poucas áreas. Por exemplo:
- O Cidadania obteve uma concentração significativa de votos na região do Capão Redondo. (Nota: Os pontos na Zona Leste foram um problema de geocodificação e não afetam os números da análise.)
- O PMB demonstrou uma forte presença na região do Campo Limpo.
- A Rede concentrou grande parte de seu apoio em Pinheiros e arredores.
Esses partidos regionalizados são especialmente pequenos o que indica que os poucos votos que tiveram devem ter sido de poucos vereadores populares em somente umas poucas áreas. E que provavelmente não tiveram candidatos em outros locais. Os partidos maiores todos apresentaram boa dispersão da totalidade dos seus votos.
Os "Donos do Pedaço": Mapeando os Vereadores Hiperlocais
Depois de identificar os "reis do castelo", fomos um passo além: quem são os vereadores tão locais que poderíamos colocar um alfinete no mapa e dizer: "é exatamente aqui que ele manda"?
Para encontrar esses "donos do pedaço", criamos uma regra clara: selecionamos apenas os políticos que concentraram mais de 40% de todos os seus votos em apenas três zonas eleitorais. O resultado é o mapa abaixo, onde cada ponto representa o "coração" do eleitorado de cada um desses políticos — o centro de gravidade de seus votos.
(Nota técnica: para o cálculo, usamos apenas os votos dessas três zonas principais. Se usássemos todos os votos, a força da gravidade do centro geográfico da cidade puxaria todos os pontos para lá, distorcendo o mapa.)
A Surpresa: Um "Vazio" de Poder Local no Centro
Ao colocar os pontos no mapa, uma ausência chama a atenção: um verdadeiro "vazio" no centro de São Paulo. Pela nossa regra, não há vereadores hiperlocais por ali. Por quê?
Existem algumas boas explicações para isso:
- Muitas Zonas, Votos Diluídos: O centro é um mosaico de muitas zonas eleitorais pequenas. Para um candidato, é muito difícil concentrar 40% de seus votos em apenas três delas.
- Influência que "Irradia": Os políticos fortes no centro costumam ter uma influência que transborda para outros bairros. Como o centro é um polo de trabalho para gente da cidade inteira, o voto ali tende a ser naturalmente mais espalhado.
É o caso de nomes como Janaina Paschoal, Luana Alves e Marina Bragante. Embora sejam muito fortes na região central, seus votos se distribuem por tantas zonas ali dentro que elas acabam não se encaixando em nosso critério de "dona do pedaço".
A imagem acima é scrollavel e possivel de dar zoom.
As "Tribos" de SP: Usando Machine Learning para Mapear o Voto
E se, em vez de nós dizermos quais bairros se parecem, deixássemos um algoritmo de Machine Learning fazer o trabalho? Foi o que fizemos para tentar encontrar as "tribos" eleitorais de São Paulo.
A Metodologia: Ensinando a Máquina a Enxergar Perfis
Primeiro, criamos uma "assinatura de voto" para cada pedacinho da cidade. Em vez de olhar só quem ganhou, analisamos a "receita" completa de cada local: 30% de votos para o partido A, 20% para o B, 10% para o C, e assim por diante.
Depois, colocamos nosso detetive para trabalhar: um algoritmo de Machine Learning chamado K-Means. Pense nele como um organizador superinteligente. Nós demos a ele milhares de "assinaturas de voto" e pedimos: "encontre e agrupe as que são mais parecidas entre si".
(Nota do analista: em vez de buscar um número "perfeito" de grupos que só um estatístico entenderia, escolhemos uma divisão que fizesse sentido visualmente. O objetivo é clareza, não um doutorado em matemática!)
Como Ler o Mapa das Tribos
O mapa abaixo mostra o resultado. Para facilitar a vida, a legenda funciona assim:
- Múltiplos Partidos (Ex: PL/MDB/PSOL): Quando você vir vários partidos juntos, significa que a briga foi boa! São regiões onde o voto é mais dividido ou a disputa foi acirrada. Ninguém ganhou de lavada.
- Partido Único (Ex: PT): Agora, se aparecer um só partido, é sinal de domínio relativo. Nesses grupos, este partido foi o preferido com folga (mais de 50% de vantagem sobre o segundo), mostrando um alinhamento claro dos eleitores.
Explorando o Mapa Interativo e figura com o mapa

A primeira imagem mostra uma visão geral do estado, revelando a distribuição dos clusters de forma estática. Para uma exploração mais detalhada, utilize o mapa interativo abaixo.
Mapa interativo
Ao clicar em qualquer região do mapa, você verá um raio-X completo do voto local, incluindo o perfil para:
- Vereador
- Prefeito (1º Turno)
- Prefeito (2º Turno)
Neste mapa, ao clicar em um local, você poderá ver o perfil de votação para vereador, prefeito (1º turno) e prefeito (2º turno). É possível notar a zona de transição de perfis de votos na Zona Leste e a prevalência de alguns partidos em locais mais afastados.
Mapeando a Batalha: O que a correlação de votos nos diz sobre os partidos?
Para entender o mapa da batalha eleitoral em São Paulo, fomos além dos resultados gerais. Mergulhamos nos dados de cada seção de votação — a menor unidade possível, o que nos dá uma visão muito mais detalhada do terreno
Matriz correlação votos vereadores

A ferramenta que usamos foi a matriz de correlação de Spearman. O nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples: descobrir quais partidos "pescam" eleitores nos mesmos "lagos".
A regra do jogo é a seguinte:
- Correlação positiva alta? Sinal de que os partidos crescem juntos nas mesmas regiões. Eles disputam o mesmo perfil de eleitor, no mesmo território.
- Correlação negativa? Indica que o eleitorado de um é geograficamente distinto do outro. Eles estão em "campeonatos" diferentes.
Um aviso importante antes de continuar: Estamos olhando a floresta, não as árvores. Nossa análise é sobre grupos e regiões, não sobre o voto de um indivíduo. Confundir os dois é um erro clássico chamado Falácia Ecológica. Por exemplo, só porque dois partidos têm correlação alta em uma região, não significa que uma pessoa que vota em um, votaria no outro. Significa apenas que eles são fortes nos mesmos lugares. Onde um pesca um peixe que gosta de minhoca nesse lago e outro pesca um peixe que gosta de pão na isca.
O Eixo "Esclarecido" do Centro: PSOL, Novo e Rede
Pode parecer estranho, mas partidos com ideias tão diferentes como Novo e PSOL têm uma correlação relevante. O que isso nos diz? Que o eleitor típico do Novo e o do PSOL, apesar de pensarem de forma oposta na política, compartilham o mesmo CEP.
Ambos têm sua força no centro expandido, em bairros com maior renda e acesso a serviços. Eles disputam a mesma população, ainda que com discursos completamente diferentes. A Rede também atrai eleitores com um perfil parecido.
A Fronteira PSOL vs. PT: Mundos Diferentes
De forma curiosa, a correlação entre PSOL e PT é negativa. Isso não quer dizer que um eleitor petista jamais votaria no PSOL, mas sim que os territórios de cada partido são bem diferentes. Em São Paulo, eles não parecem concorrer diretamente: o PT tem sua base mais forte nas periferias, enquanto o PSOL, como vimos, se concentra na região central.
A Batalha das Periferias: O Bloco dos "Velhos de Guerra"
Por último, vemos um grande bloco de partidos mais tradicionais, como PT, MDB, Republicanos, PSD, PL e outros. A correlação entre eles é alta, indicando que a briga aqui é forte e acontece no mesmo campo de batalha: as periferias.
Nessas regiões, o voto é muitas vezes ligado a lideranças locais. É aqui que o perfil social dos eleitores fala mais alto que a ideologia. Embora o eleitor do PT e o do Republicanos (ligado à base evangélica) pensem de formas muito diferentes, eles compartilham uma realidade social parecida. E é por esse eleitor que a disputa acontece com mais força.
Matriz correlação votos vereadores com prefeito 1 turno

Cruzando os Votos: Como os eleitores de prefeito e vereador se misturaram?
Agora, a análise fica ainda mais interessante. Cruzamos os dados dos votos para vereador de cada partido com os votos para prefeito no primeiro turno. A ideia é ver qual base partidária (de vereadores) "conversa" mais com cada candidato a prefeito.
Os resultados revelaram algumas dinâmicas bem curiosas:
Ricardo Nunes: O candidato "descolado" dos partidos?
O que mais chama a atenção é a baixa correlação do prefeito Ricardo Nunes com todas as bases partidárias. Mesmo com o PT, seu principal campo de oposição, a correlação é mais fraca do que se poderia esperar. Isso sugere que seu eleitorado não se concentra nos mesmos territórios que os eleitores de vereadores de um partido específico, sendo, talvez, mais pulverizado pela cidade. Esperado de um político experiente e que tenta a reeleição.
Tabata Amaral e o eleitorado do Novo
Como uma surpresa nem tão grande assim, a maior correlação de Tabata Amaral é com os locais onde o partido Novo é forte. Isso reforça a ideia de que, embora as pessoas não sejam as mesmas, o perfil social e a geografia do eleitorado de ambos são muito parecidos. O "eleitor esclarecido".
Pablo Marçal: O então herdeiro (não oficial) do bolsonarismo?
Os dados indicam que Pablo Marçal teve uma correlação forte com as regiões que, em eleições recentes, votaram em peso em Bolsonaro, especialmente no centro da Zona Leste. A leitura aqui parece clara: uma parte do eleitorado bolsonarista não seguiu a indicação oficial do ex-presidente e encontrou em Marçal uma alternativa.
Boulos e PT: A aliança mais forte do mapa
De longe, a maior correlação da análise foi entre os eleitores de vereadores do PT e o candidato Guilherme Boulos. Os números são tão fortes que indicam que a base eleitoral de Boulos, em termos de território, estava mais conectada à do PT do que à do seu próprio partido, o PSOL. Isso faz todo o sentido quando lembramos da análise anterior: enquanto a base do PSOL é mais central, a do PT é mais forte nas periferias, mostrando para onde a candidatura de Boulos precisou (e conseguiu) se expandir da do PSOL.
Matriz correlação votos vereadores com prefeito 2 turno

O Resumo da Ópera: Para onde foram os votos no 2º turno?
Analisando a migração dos votos do primeiro para o segundo turno, o mapa nos conta uma história bem clara sobre a polarização e a herança eleitoral.
De um lado, a polarização ficou explícita nos redutos do PT, com destaque para diversas periferias da Zona Leste. Como vimos, essa foi a base que mais se concentrou em Boulos e mais rejeitou Nunes.
Do outro lado, aconteceu o movimento que muitos analistas esperavam: Ricardo Nunes herdou uma parte importante dos votos dos partidos "velhos de guerra", incluindo eleitores que haviam apoiado Pablo Marçal no primeiro turno.
Essa migração foi o que, no fim das contas, consolidou a disputa territorial que marcou a eleição.
Bônus: Matriz correlação votos prefeito com prefeito 2 turno

Transferência de Votos
Para fechar, uma última curiosidade: cruzamos os votos do 1º turno de cada candidato com os resultados do 2º. E aqui, um dado sobre o eleitorado de Tabata Amaral chamou a atenção.
Os bairros onde ela teve mais votos no primeiro turno mostraram uma leve correlação positiva com Ricardo Nunes no segundo.
Como isso é possível, se ela declarou apoio a Guilherme Boulos? A explicação parece estar em um terceiro elemento: o "efeito Marçal".
Acontece que, em muitos desses mesmos bairros onde Tabata foi bem, Pablo Marçal teve uma votação ainda mais expressiva. Como o eleitorado de Marçal migrou em peso para Nunes no segundo turno, esse movimento massivo provavelmente acabou "abafando" a transferência dos eleitores de Tabata para Boulos.
A conclusão: No fim das contas, os dados sugerem que o apoio formal de Tabata teve um efeito prático geral limitado na transferência de votos de suas principais bases eleitorais.
Considerações Finais: O Tabuleiro Eleitoral de São Paulo
Ao final desta jornada, a política paulistana se revela menos como um debate de ideias e mais como um imenso jogo de tabuleiro. O mais surpreendente é descobrir que, no fundo, uma das maiores metrópoles do mundo ainda guarda fortes traços de uma "política de interior".
A dinâmica, no fim das contas, é a mesma de uma Câmara de cidade pequena, só que em uma escala monumental. O tamanho da metrópole não parece mudar o perfil do jogo.
A maioria dos vereadores age como "reis em seus castelos": eles constroem fortalezas em bairros específicos para garantir a lealdade de um eleitorado fiel. São os conhecidos de suas comunidades, focando suas campanhas talvez políticas nos seus quarteirões.
Em contraste, existem os "pop stars" do voto: uma minoria de políticos com apelo tão amplo que colecionam fãs por toda a cidade, conquistando eleitores nos mais diferentes distritos, em geral fazendo apelos mais universais como segurança, moral e menos nos locais.
E os partidos? Eles mostram uma forte coerência geográfica. Assim como numa sala de aula, vereadores da mesma sigla costumam "sentar perto" uns dos outros no mapa, concentrando sua atuação em territórios vizinhos ou de perfil semelhante. No fim das contas, nossa viagem pelos dados do TSE prova que o voto em São Paulo não é apenas um número na urna. É uma história contada pela geografia, uma disputa entre tribos por seus "territórios de caça".
É uma visão ao mesmo tempo divertida e reveladora, que deixa a pergunta no ar: na próxima eleição, quem serão os novos reis dos bairros e quem, finalmente, conseguirá conquistar a cidade inteira?
Cenas dos Próximos Capítulos
E a análise não para por aqui. Este mergulho na geografia do voto abre portas para perguntas ainda mais fascinantes, que merecem outros tipos de análise. Por exemplo:
- Os "Quase Lá": Seria incrível mapear os candidatos que "bateram na trave" – os não eleitos que chegaram mais perto. Onde a força deles se concentrou? Eles são "reis" de castelos que não foram coroadados?
- O Mapa Através do Tempo: Outra fronteira a se explorar é a comparação com eleições passadas. Como o mapa do poder mudou desde a última eleição? Quais vereadores reeleitos expandiram seus "reinos" e quais os viram encolher?
- As Fronteiras porosas: Será que os perfis de voto "vazam" de uma cidade para outra? Uma região na divisa de São Paulo, dominada pelo partido A, influencia a cidade vizinha a votar da mesma forma?
- O Efeito "Puxador de Voto": A popularidade de um vereador campeão de votos é a mesma em toda a cidade? Analisar as correlações individuais dele por região poderia revelar onde sua influência é desproporcional, identificando os verdadeiros puxadores de voto capazes de ajudar seu prefeito.
- Cruzar com dados do IBGE: O IBGE 2022 tem dados bem precisos de população idade sexo alfabetizacao renda, tipo de domicílio. Uma analise teria que usar técnicas para reverter o desalinhamento espacial de dados dos dois mapas, mas nada que já não esteja resolvido em outros contextos.
Essas são perguntas para um próximo capítulo. Fique de olho!
Para Fechar: Os Números Gerais por Partido
Depois de mergulhar na geografia e nos diferentes perfis de voto em São Paulo, demos um passo para trás para observar a paisagem completa. Enquanto toda a nossa análise se concentrou no "onde" e no "como" os votos aconteceram, os gráficos a seguir mostram o "o quê": o resultado final da eleição.
Aqui está o balanço de poder na Câmara Municipal, com o número total de vereadores eleitos e a quantidade de votos que cada partido recebeu.



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